outono

meu bem,

fiquei doente. de cama. e uma das coisas que mais gostei nisso foi poder sentir a casa calma, de um jeito que não sentia há um tempo. não sei se era a casa calma, ou eu. em dois dias li um livro inteiro, o homem proibido, de nelson rodrigues. isso era outra coisa que não fazia também. se não bastasse a febre, caí em um vão. aquela coisa que falam que você vê fatos importantes por alguns segundos se passarem na sua cabeça, é a mais pura verdade. achei que fosse cair do segundo andar, cortar o rosto, ouvi um estalo, me lembrei dela, coloquei a mão no chão e caí. 2 segundos. sentia uma dor muito maior de susto do que de dor física, me sentia impossibilitada de sorrir. uma senhora linda me acudiu, me tirou do chão, me acalmou e logo depois sentei, sorri, e mesmo com toda aquela dor e aquela falta de apoio no chão não deixei de cumprir o que era preciso.

hospital.

maratona de pessoas, médicos, exames. choro, impaciência, dor emocional. o corredor era rosa, graças a Deus. de repente me entra o mais amado com a minha vitrola e o meu novo vinil favorito, com a minha música favorita. me senti tão acolhida que até esqueci que tinham amigas queridas por lá. era quase o universo me abraçando e eu me sentindo um pouco mais em casa.

operação, recuperação chata. 1 mês pra pensar na vida. 1 mês pra colocar a cabeça em ordem e entender um pouco mais sobre o que está acontecendo com tudo ao meu redor. 1 mês e graças a deus tenho o meu amor me cuidando e me dando o maior carinho do mundo, entre banhos e idas ao banheiro, entre sangramentos e muito feijão. 1 semana e menos 4kg.

tenho curtido o sofá mais que nunca, ele vira cama. tem encosto, passo o dia dormindo ou vendo tv por lá. estou apaixonada por um sapato como uma adolescente se apaixona pelo seu ídolo no poster. torço pro osso sarar logo e ficar que nem rocha, sem liberar fragmentos. menos dor. mais amor. são os seus cuidados que me deixam bem. é o seu sorriso quando vai e quando volta, ou quando trabalha e vira de costas pra me ver na cama.

a vista é linda e me assustou nos primeiros dias. a cidade é tão grande e eu tão pequena ali no sofá marrom. agora me sinto amiga e todas as tardes eu sinto o entardecer gelado do outono com ela. fico acordada com café. fico enjoada com o cheiro de comida. ganhei tulipas que abriram hoje com o dia mais quente. ganhei uma notícia linda de uma amiga querida e coxinhas que não consegui comer direito. fico feliz com o andar das coisas e torço pra chegar logo a hora do médico com muitas boas notícias.

outra coisa, quase ia esquecendo. não consigo ouvir música. coloco e tiro rápido, não quero que nada vire trilha sonora desses dias e que marque as canções. tudo parou. só me interessa a tv, entre e um cochilo e outro. não acha estranho? fico achando super, mas realmente não consigo.

enfim, era o que eu tinha pra te contar. vamos curtir o outono e final da tarde gelado. me faz um café? é que não consigo sair do sofá.

aguardo por notícias.

com amor,

a.

 

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1 comentário

  1. parabéns, adelle!!

    né que tô sendo irônico mas os parabéns são por tu quase ter feito um marmanjo chorar no trabalho tsc tsc. vai escrever bem assim num livro!! que eu vou fazer questão de comprar 482704790423 cópias pra presentear quem eu gosto.

    tô torcendo pra que a tua recuperação aconteça MUITO rápido e que tu logo possa levar o danilo pra dançar um forrozinho :)

    um cheiro e melhoras! :***

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