abra a janela, por favor.

eu gostava daquela que sempre insistia em abrir a janela para ver o dia que começava lá fora. era engraçado a forma que sempre acordava, despenteada, mal-humorada, abrindo a janela e perguntando pelo seu café. questionar os seus sonhos era como um exercício, valia como caminhar por horas na esteira.

quando sentava na mesa, cada gole de café era precioso. como quem precisa de injeções de animação para em seguida entrar no carro e eleger um cd como o “cd do dia”. gostava quando me ligava pra contar que hoje era dia de tal cd, sempre pelo seu nome e ignorando completamente o artista que o criou.

para dias nublados, jazz. para dias ensolarados, samba. para dias de conflito, hardcore.

hoje, minhas janelas estão fechadas e eu não tenho um cd do dia. mas aguardo esperançoso pelo telefonema dela.

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