Archive for the 'literatura clandestina' Category

se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?
a tese [...]


contranarciso

22Out09

em mim
meu vejo
o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
Paulo Leminski


“Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal com você. Quero ouvir você me contar sobre o trabalho e falar detalhadamente de pessoas que eu não conheço, e nem vou conhecer, como se [...]


Parece que foi ontem.
Tudo parecia alguma coisa.
O dia parecia noite.
E o vinho parecia rosas.
Até parece mentira,
tudo parecia alguma coisa.
O tempo parecia pouco,
e a gente se parecia muito.

A dor, sobretudo,
parecia prazer.
Parecer era tudo
que as coisas sabiam fazer.
O próximo, eu mesmo,
Tão fácil ser semelhante,
quando eu tinha um espelho

pra me servir de exemplo.
Mas vice versa e vide a [...]


gosto de ganhar poesias ou imagens de presente… hoje ganhei uma da ana cristina césar, desse moço aqui. obrigada, viu? :*
Flores do mais
devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais [...]


(via; via)


pessoas

27Jul09

“as únicas pessoas autênticas, para mim, são as loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, que não bocejam, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir.”
kerouak, jack. on the road


poeminha

10Jul09

enquanto isso no trópicos
amores platônicos
e outros
psicotrópicos
com gosto de lágrima
e efeitos
ópticos
enquanto isso nos trópicos
tipos comuns
e outros tipos exóticos
em busca
de algum
aquela cara metade
saudade de sentir
saudade
enquanto isso
você pensa que é noite
enquanto o sol
ainda
arde
arruda


o amor acaba

28Jun09

“O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o [...]


quote

21Mai09

Já acreditara alguma vez no amor como enriquecimento, como exaltação das potências intercessoras. Certo dia, deu-se conta de que seus amores eram impuros porque pressupunham essa esperança, enquanto o verdadeiro amante amava sem esperar o que quer que fosse fora do amor, aceitando cegamente que o dia se tornasse mais azul e a noite mais [...]


<3

16Mai09

Amo-te por sobrancelha, por cabelo, debato-te em
corredores branquíssimos onde se jogam
as fontes de luz,
discuto-te a cada nome, arranco-te com
delicadeza de cicatriz.
Vou-te pondo no cabelo
cinzas de relâmpago
e fitas que dormiam à chuva.
Não quero que tenhas uma forma, que sejas
precisamente o que vem atrás da tua mão,
porque a água, considera a água e os leões
quando se dissolvem [...]


urgente

14Fev09

não olhava para o desenho
mas para dentro dele
sendo ela ali desenhada
poderia se dizer que olhava para dentro dela
e quando se pegava olhando para si
escrevia cartas
onde repetia aquela palavra
aquela mais certa
endereçava a palavra
sempre ao mesmo endereço
o mesmo número 43 onde ela morava
não lia mais as cartas que recebia
evitava ler aquela palavra
a palavra lembrava o desenho
e quando [...]


poetry

17Abr07

mandaram me avisar que a poesia da vida não é sincera.deve ser porque dói.