lembrete
enquanto faço arte na mesa, observo a janela. o reflexo dos faróis dos carros que sobem a rua refletem nos pingos de chuva que estão na janela e parecem fogos de artifício.
noite de domingo é como ano novo da próxima semana.
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anna
não consigo parar de ouvir essa música.
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uma hora
no meio dessas viagens que estamos passando acho bonitinho quando você me pergunta se a minha comida chegou. estamos longe mas a preocupação com o jantar é sempre presente. o prazo é de uma hora. uma hora pra uma caixinha e uma lata de coca que eu me prometi não beber hoje pela manhã entrarem na redação.
uma hora.
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leminski, paulo
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coisas novas
Galina Ulanova, grande bailarina russa, decidiu, certa vez, que não mais faria nenhuma outra coreografia a não ser Romeu e Julieta. Durante 18 anos, ela só dançou essa peça e sempre percebia algo novo. Isso acontece comigo e com qualquer ator: ao entrar em cena, jamais somos o mesmo da noite anterior.
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adélia prado
Às vezes levanto de madrugada, com sede,
flocos de sonho pegados na minha roupa,
vou olhar os meninos nas suas camas.
O que nestas horas mais sei é: morre-se.
(…)
A menina que durante o dia desejou um vestido
está dormindo esquecida e isto é triste demais
porque ela falou comigo:”Acho que fica melhor com babado”
e riu meio sorriso, embaraçada por tamanha alegria.
Como é possível que a nós, mortais, se aumente o brilho nos olhos
porque o vestido é azul e tem um laço?
Eu bebo a água e é uma água amarga
e acho o sexo frágil, mesmo o sexo do homem.
Adélia P.
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conversando por aí
- fulano é legal, mas com ressalvas. mas eu também sou legal com ressalvas, daí eu o entendo às vezes.
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ferreira gullar – poema sujo
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balanço
outro dia caminhando na rua você me perguntou se a gente poderia ter uma casa com mangueira, pra ter um balanço nela. eu respondi que sim e fiquei toda em corações.
hoje quando vi essa foto só pude lembrar de você. e do balanço.

quando vamos procurar a casa?
:)
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silêncio, soluços e aspirinas
Algumas coisas nos fazem chorar. Não soluçar e dissolver, mas escorrer lágrimas que não são exatamente nossas. É um choro parceiro. Um choro de amiga. Aquele de quem quer, no fundo, roubar a tristeza alheia, quer chorar pra que ela possa, enfim, sorrir. É impossível não doer quando uma amiga chora. É impossível não borrar. Essas lágrimas são muitas vezes mudas, caladas pela dor, mas nunca (nunca) menos parceiras. Nunca menos sentidas. Se falasse, esse choro seria um misto de piadas antigas para descontrair e xingamentos duros a alguém, alguma coisa ou simplesmente ao maldito azar. O choro de uma amiga é tão nosso quanto o filho que acabamos, juntas, de perder. É tão nosso, quando o ódio sofrido pela traição que acabamos, juntas, de descobrir. É tão nosso quanto o erro que acabamos de cometer. Esse choro alheio que escorre em nosso rosto é tão sincero quanto aquela gargalhada que decora há anos a geladeira. E é esse choro, inteiro e dividido, que puxa o abraço. É esse choro, conjunto, que enraíza o que, em breve, florescerá. É ele, dolorido e intensamente nosso, que diz, sem dizer: vai dar tudo certo, amor. Eu prometo.
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cry me a river

meu bem,
são paulo está cor de rosa. é que as flores dos ipês estão caindo por toda a cidade e é como se tudo fosse um grande recomeço.
ando muito sozinha, com muito aperto no peito e uma agonia que vai e que volta de repente, sempre me pegando desprevenida. a agonia, eu sei, é saudade. já sei disso. me faz chorar no banho ou trocando de roupa pelas manhãs com medo de encarar o dia que está acordado comigo.
mas essa carta é pra dizer que hoje eu ouvi cry me a river e a música continua ali toda solitária que nem eu.
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novidade
amigos,
agora eu também estou aqui: http:www.misscaffeine.com.br
espero por vocês lá.
beijo,
a.
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você nas minhas mãos eu juro que não tenho medo.
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