confidência
con.fi.dên.cia
1. segredo
2. o ato de manter um ou mais segredos
3. o meio pelo qual se comunica o segredo
4. confiança
eu tenho um segredo menina
cá dentro do peito
que a noite passada
quase que sem jeito
bem na madrugada ia revelar
foi quando um amor diferente
estava nos meu braços
olhei pro espaço
e ví lá no céu
uma estrela cadente se mudar
eu lembrei das palavras doces
que um dia falei pra alguém
que tanto tanto me amou
me beijou como ninguém
que flutuou nos meus braços
mudou os meus planos
e nossos segredos confidenciamos
sem hesitar
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saudades
agora que você se foi eu fico dolorida pra lembrar. mas olhe, vou sentir muito sua falta. dos almoços de domingo, de ver a senhora cochilando na cadeira enquanto a novela das 7 tava passando, da fritada de lombo, da sua cadeira de balanço, do sucos, da sua indignação pq eu era vegetariana, da comida da senhora, dos seus aniversários, do seu sítio, de te dar beijo e pegar na sua mão.
vai me fazer falta a sua vaidade, as suas unhas pintadas, os seus cabelos penteados e da senhora toda perfumadinha.
vou sentir falta dua sua risada, de escutar a senhora falando que hoje tudo é muito moderno e que na época de voinho tinha que ir pro cinema com três pessoas segurando vela.
é, mulher. hoje é tudo tão moderno que mesmo morando lá no caos eu via a senhora no skype, a gente dava risada juntas e eu queria tanto te apertar e te beijar. e eu sei que agora a senhora tá aí, junto da sua nêga e do meu voinho olhando a gente aqui embaixo e achando graça dessa vida que a gente leva.
se cuide por ai. e cuide da nêga.
amo vocês.
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o amor acaba
“O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”
Paulo Mendes Campos
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alone
uma das melhores sensações é sair do metrô e caminhar com o vento frio batendo no rosto. é inverno e faz 14° nos termômetros da avenida paulista.
atravesso a rua em busca de boa companhia e cerveja barata quando me dou conta da solidão que a cidade oferta. ficar só é fácil, difícil é ser solitária.
penso em um anúncio que diz: precisa-se de companhia para um passeio na avenida paulista, na livraria cultura, para mostrar uma banda recém descoberta ou para tomar uma cerveja em algum boteco sujo.
eu sinto falta de pessoas.
sim, mesmo com tantas ao meu redor.
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jazzdequinta #16 freddie hubbard
Frederick Hubbard, estadunidense, foi um importante trompetista de jazz. Durante sua juventude, associou-se à vários músicos, tendo como importante influenciador o músico Chet Baker.
via
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apenas o fim.
” – falar sobre amor é muito clichê.
– eu acho que falar que falar sobre amor é muito clichê que é clichê.”
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